Mercado Musical: Desconstruindo Mitos
Gabriel Miguez e Álvaro Fusco
Atualizado em · 6 min de leitura
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É senso comum no país que a profissão de músico é algo instável, arriscado e pouco recompensador, mas o mercado musical é bem mais amplo do que se imagina. Este post desconstrói três mitos: o de que música só dá dinheiro se fizer sucesso, o de que ela é arriscada demais e o de que convém ter um plano B.
Neste post
É senso comum em nosso país que a profissão de músico (às vezes, nem considerada como profissão) é algo instável, arriscado, incerto e pouco recompensador. Mas saiba que o mercado musical é bem mais amplo do que você imagina.
Essa "consciência coletiva" inibe os sonhos e aspirações de muitos jovens que têm vontade de seguir carreira na música.
O medo que as pessoas colocam nas suas cabeças faz com que acabem por escolher profissões mais "seguras" e conservadoras, que irão "com toda certeza" garantir seus futuros.
Estamos aqui hoje pra desconstruir todos esses mitos sobre o mercado de trabalho musical para vocês que tem algum interesse em seguir carreira nesse meio cheio de possibilidades que é a música.
O Medo do Mercado Musical
Vamos acompanhar, rapidamente, a história de Marcos. Ele se vê a todo momento esbarrando em mitos sobre a vida no mercado musical. Veja se você se identifica, mesmo que remotamente, com ela.
Marcos tem 17 anos e, desde os 13, começou a aprender a tocar baixo, por influência de seu primo que já tinha uma banda e precisava de baixista.
O começo foi despretensioso, porém, com o tempo ele foi tomando gosto pela coisa e a passou a treinar fervorosamente todos os dias, durante anos.
Começou a fazer aulas particulares, desenvolvendo sua técnica no instrumento e ampliando seus conhecimentos sobre teoria musical.
Agora ele está no terceiro ano do ensino médio (em um país chamado Brasil) e precisa escolher uma profissão, uma carreira para seguir.
As provas do vestibular estão chegando e nos formulários de inscrição ele selecionou o curso de engenharia como primeira opção.
Lá no fundo (nem tão fundo assim) ele queria fazer faculdade, ou um curso técnico de música. Entretanto, sempre ouviu, por parte de alguns familiares, amigos e conhecidos frases como: "Nossa, que legal que você toca e quer ser músico, mas faz uma outra faculdade para garantir, né...",ou," Hum! Música é tão legal, mas que profissão você quer seguir?", ou até mesmo aquelas que nem procuram disfarçar: "Música no Brasil não dá dinheiro, vai morrer de fome, é tudo sorte...".
Então, Marcos começou a estudar engenharia, continuou tocando baixo, mas sempre tem a dúvida e o pensamento de que se fizesse música poderia estar mais feliz.
Será que realmente passaria tanta dificuldade?? Será que ele aguenta o tranco de fazer uma faculdade inteira de algo que ele não se interessa realmente, apenas para "garantir" seu futuro?!
Lembrou de alguém?
Se você toca algum instrumento e está chegando nesse momento de escolha, provavelmente você irá se identificar com a situação do Marcos.
Mas fique tranquilo e veja porque você deve reconsiderar suas escolhas relacionadas ao mercado musical.
Mitos
1) "Música só da dinheiro se fizer sucesso"
Esse é um dos mais comuns e que ouvimos corriqueiramente.
Primeiramente, o sucesso a qual a maioria das pessoas se referem hoje em dia é ter uma banda em que as músicas estourem nas rádios, com vídeos no youtube com milhões de views e que façam tours no mundo inteiro em 6 meses.
Vamos lá. Esse caminho existe, e é realmente difícil. Bombar na indústria cultural atualmente requer muito mais que talento e dedicação.
Contudo, este é apenas um dos diversos caminhos que você pode seguir.
Outras Possibilidades
Existem vários outros, como, por exemplo:
- Músico de estúdio;
- Sideman (acompanhando outros artistas);
- Tocar na noite;
- Dar aulas e promover vídeo-aulas;
- Escrever partituras para compositores;
- Ter um negócio próprio como cursos de música ou estúdios para ensaios e gravação (home-studio é uma opção cada vez mais barata e viável);
- Escrever ebooks;
- Escrever blogs;
- Ser endorser de marcas de produtos musicais;
- Atuar na musicoterapia.
Todas essas possibilidades podem gerar uma renda bem interessante e você ainda pode atuar em mais de uma delas, diversificando a fonte de seus ganhos.
Veja bem, como em qualquer profissão, isso não quer dizer que seja fácil. Você terá de trabalhar e se dedicar bastante e confiar no processo.
Estou aqui "quebrando" esse mito de que o mercado da música é reduzido apenas a indústria cultural e que a ideia de sucesso seja somente vinculada à essa área.
Você pode ser um professor de música e ser muito bem sucedido, com reconhecimento e remunerações muito boas.
Tudo depende do planejamento, organização e dedicação aos seus objetivos.
2) "Música é muito arriscado e instável"
Vamos estabelecer aqui que a instabilidade no mercado de trabalho de um modo geral é muito mais vinculada a fatores conjunturais e contextuais do que de fato à característica em si da profissão.
Por exemplo, o ramo da engenharia civil que a 5, 6 anos atrás bombava hoje encontra sérias dificuldades em virtude da situação atual do país.
A profissão não mudou muito, então, foi muito provavelmente algo contextual que mudou o quadro do mercado.
A grande maioria das profissões está sujeita a oscilações no mercado de trabalho (algumas até acabam diante de mudanças estruturais).
Se me pedir para falar uma profissão muito antiga que existe até hoje em dia, a resposta que vou te dar é músico.
Mas e a Crise?
O país está em crise, mas as pessoas continuam consumindo de tudo, inclusive coisas relacionadas a música. Veja só:
- Elas continuam saindo para bares a boates com bandas e música ao vivo;
- Estão fazendo festas e casamentos, contratando bandas;
- Cada vez mais a música aparece como um hobby e terapia para pessoas das mais diversas idades, onde os professores e escolas irão atuar;
- as pessoas que possuem outras profissões e não tem tempo de frequentar aulas presenciais pagam por aulas online. Além disso, buscam ajuda em fóruns e blogs (que podem movimentar renda);
- a internet ajuda e muito os músicos e professores a divulgarem seu trabalho, seja com os canais do youtube, videoaulas, blogs ou na divulgação de produtos com endorsement e patrocínio.
A música está em toda parte! Só não vê a oportunidade quem não quer...
3) " É bom ter um plano 'B' caso tudo dê errado"
Não! Não é bom ter um plano 'B'. Ele vai te tirar do foco de trilhar o plano 'A'. O plano A é viver de música, então siga ele, não perca seu tempo se dedicando a outra área.
Se você fizer isso, perderá seu foco e realmente não irá conseguir atingir suas metas na música. A não ser que seu plano 'B' seja um outro nicho, ou possibilidade, dentro da música, ele será inútil e vai te fazer fracassar.
Não parece, mas Músico é uma profissão
A ideia principal que quero passar aqui é a seguinte: Música é uma profissão como outra qualquer! E ainda considero que o mercado musical é vasto e diversificado, e isto não é tão comum assim em outras profissões.
Não tem porquê encararmos ela de forma diferente. Ela requer estudos, dedicação, planejamento e paciência para encarar os obstáculos que irão, inevitavelmente, surgir.
Afinal, que profissão é livre de percalços e imprevistos?
Estude, estude e estude...
Se você já se decidiu e pretende ingressar de vez no mercado musical, aconselhamos que você aprenda Teoria Musical. No início ela pode parecer um pouco chata. Mas depois, você verá que ela é uma das suas maiores aliadas nesta jornada!
Faça o que você ama. Ame o que você faz...
Perguntas frequentes
Música só dá dinheiro se fizer sucesso?
Não. O sucesso a que a maioria se refere é ter uma banda com músicas nas rádios, milhões de views e turnês mundiais, e esse caminho existe e é realmente difícil. Mas ele é apenas um dos diversos caminhos possíveis: o mercado da música não se reduz à indústria cultural.
Que outras possibilidades existem?
Músico de estúdio, sideman acompanhando outros artistas, tocar na noite, dar aulas e promover videoaulas, escrever partituras para compositores, ter um negócio próprio como estúdios para ensaio e gravação, escrever ebooks, escrever blogs, ser endorser de marcas de produtos musicais e atuar na musicoterapia. Dá para atuar em mais de uma delas, diversificando a fonte de ganhos.
Música é mais arriscada que outras profissões?
A instabilidade no mercado de trabalho, de modo geral, está muito mais vinculada a fatores conjunturais e contextuais do que à característica da profissão em si. A engenharia civil, que bombava alguns anos atrás, passou a encontrar sérias dificuldades sem que a profissão mudasse. E, se for para citar uma profissão muito antiga que existe até hoje, a resposta é músico.
E em tempos de crise?
As pessoas continuam consumindo tudo, inclusive o que tem a ver com música. Elas continuam saindo para bares e boates com música ao vivo, fazendo festas e casamentos e contratando bandas. A música aparece cada vez mais como hobby e terapia para todas as idades, o que abre espaço para professores e escolas. E quem não tem tempo para aulas presenciais paga por aulas online.
Vale a pena ter um plano B?
Não, porque ele vai te tirar do foco de trilhar o plano A. Se o plano A é viver de música, siga ele e não perca tempo se dedicando a outra área, ou você perde o foco e não atinge suas metas. A exceção é quando o plano B for outro nicho dentro da própria música.
O que fazer para ingressar nesse mercado?
Encarar a música como profissão, que é o que ela é: ela requer estudos, dedicação, planejamento e paciência para os obstáculos que inevitavelmente surgem. E, para quem já se decidiu, o conselho é aprender teoria musical: no início ela pode parecer um pouco chata, mas depois se revela uma das suas maiores aliadas nessa jornada.
Escrito por
Gabriel Miguez e Álvaro FuscoProfessores de teoria musical e harmonia, fundadores da Opus 3 Ensino Musical. Gabriel ensina guitarra, Álvaro ensina baixo. Mais de 12 anos de escola física, mais de 16 mil alunos online e autores de Introdução à Harmonia, 1º lugar em Teoria Musical na Amazon.
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