Descubra Tudo Sobre os Acordes de Empréstimo Modal – AEM
Gabriel Miguez e Álvaro Fusco
Atualizado em · 5 min de leitura
Resposta rápida
Acordes de empréstimo modal são aqueles que vêm de tonalidades que possuem a mesma tônica, porém estão em modos diferentes, como dó maior e dó menor. Nós pegamos esses acordes emprestados por um momento, portanto não se trata de uma modulação: o tom continua o mesmo. É um recurso muito usado para enriquecer a harmonia.
Neste post
Você já ouviu falar em Acordes de Empréstimo Modal?
Esse recurso é muito usado na música popular para enriquecer e gerar sonoridades “diferenciadas” em uma harmonia.
Hoje nós vamos desvendar tudo sobre este tipo de acordes.
Responderemos perguntas como:
- O que é um Acorde de Empréstimo Modal?
- De onde vem esses acordes?
- Como identificar um AEM?
Ajeite-se em sua cadeira e devore esta leitura.
Ao final dela você saberá tudo sobre Empréstimo Modal.
O que são Acordes de Empréstimo Modal?
Acordes de Empréstimo Modal são aqueles que vêm de tonalidades homônimas ao tom da música.
Como é que é?!
Já explicamos em nosso blog sobre Tonalidades Homônimas.
Mas, relembrando: Tonalidades Homônimas são aquelas que possuem a mesma tônica, porém, estão em modos diferentes.
Por exemplo, Dó Maior e Dó Menor.
Simplificando a nossa definição anterior:
Acordes de Empréstimo Modal são aqueles que vêm de tonalidades que possuem a mesma tônica, porém estão em modos diferentes.
Nós pegamos esses acordes “emprestados” por um momento, portanto, não se trata de uma modulação, o tom continua o mesmo.
Simples assim…
De onde podem vir?
Já vimos que pegamos os AEM (Acordes de Empréstimo Modal) de tonalidades homônimas.
Mas quais são as tonalidades homônimas possíveis?
Vamos partir dos casos em que estamos em uma tonalidade Maior e pegamos emprestados os acordes do tom menor.
Se você ainda não estudou sobre Campo Harmônico Menor, recomendo fortemente que dê uma olhada aqui.
Em primeiro lugar temos os acordes que podem vir emprestado do Campo Harmônico Menor.
E lembre-se, quando falamos em Campo Harmônico Menor estamos falando em todos os acordes do tom menor, ou seja, eles podem vir da Menor Natural, Menor Harmônica e da Menor Melódica.
Existem outros lugares os quais podemos pegar alguns acordes emprestados que são dos Modos Gregos.
O foco aqui não é explicar sobre modos gregos, e sim sobre Acordes de Empréstimo Modal.
Portanto, iremos apenas apontar de quais modos vêm certos tipos de acordes.
Resumindo: Se a música que estamos analisando está no tom Maior, os Acordes de Empréstimo Modal podem vir do Tom menor e de Modos Gregos.
Caso a música esteja em um tom menor pode acontecer de pedirmos emprestado acordes do tom maior.
Entretanto, essa situação é muito mais rara, pois o tom menor é riquíssimo.
O Campo Harmônico menor nos dá diversas possibilidades de acordes, muito mais que o maior.
Por ele já possuir toda essa riqueza, dificilmente vai pedir emprestado do tom maior.
Mas existem casos em que isso acontece…E nós veremos aqui como identificá-los também.
Chegou a hora de conhecer os casos mais comuns onde ocorrem os Acordes de Empréstimo Modal.
Acordes Emprestados do Tom Menor
Vamos Começar com Acordes de Empréstimo Modal vindos dos tons Menores.
Se compararmos o Campo Harmônico Maior com o Menor, poderemos ver quais acordes podemos pegar emprestado.
Observe a tabela abaixo.
Nela estão assinalados os acordes do Campo Harmônico Menor que podem e não podem ser usados como empréstimo modal.
Além disso, ela mostra também os que são mais comuns e os que são raros.
Os acordes marcados em amarelo são os que não são utilizados como Empréstimo Modal.
Vamos entender o porquê disso analisando cada um deles:

- IIm7 – Ele já existe no tom Maior. Não tem porque analisarmos ele como empréstimo modal se no tom maior o II é menor com sétima;
- V7 – Mesmo caso do IIm7, já pertence ao tom Maior;
- VIIm7(b5) – Lembra quando estudamos as funções Harmônicas do tom Maior? Estabelecemos que este acorde não seria útil para o tom maior, certo?
Então se ele não é útil no próprio Tom Maior, porque raios iríamos pegar ele emprestado do Tom Menor?
Os outros acordes que não estão marcados na tabela podem aparecer como empréstimo modal.
Alguns são mais comuns que outros.
Vamos ver alguns exemplos:
Flor de Lis
A música Flor de Lis, de Djavan possui um exemplo muito comum logo na introdução.
Nela temos a progressão || C7M(9) | Fm6 ||.
A música está em Dó maior, logo, esse Fm6 é um IVm6.
Sabemos que no tom maior o quarto grau é IV7M.
Portanto, o Fm6 (IVm6) veio emprestado do Tom Menor.
Acordes Emprestados dos Modos Gregos
Como falei anteriormente, não iremos aprender sobre modos gregos neste post.
Veremos os casos mais comuns em que utilizamos acordes vindos de modos gregos como empréstimo modal:
- bII7M – Este acorde vem emprestado do modo Frígio. É bem comum ele ser utilizado como uma “preparação” para o grau I7M. A sonoridade fica muito interessante.
- bVII7M – Este acorde vem emprestado do modo Mixolídio.
- Vm7 – Este Acorde vem emprestado do modo Frígio.
Atenção, este acorde (Vm7) existe no Campo Harmônico da escala menor Natural.
Mas lembre-se que esta escala é modal.
Portanto, ao usarmos o Vm7 estamos pegando emprestado do modo Frígio.
Além dos acordes do Campo Harmônico Menor, vimos os acordes que vieram emprestado dos Modos Gregos.
Percorremos as possibilidades de empréstimo Modal e vimos quais são mais comuns.
Chegou a hora de ver os casos em que músicas no Tom Menor podem acordes emprestados do Tom Maior.
Acordes Emprestados do Tom Maior
Vamos analisar a sequência da música “O Morro não tem vez” para facilitar a compreensão.
Observe a sequencia que vem antes do acorde destacado (o C#m7).
Nós temos um || Dm7 | G7(13) | C#m7 ||.
A conclusão mais óbvia desta sequencia seria um C7M, gerado a cadencia II – V – I (o Two-Five-One).
Porém, ele não resolve neste acorde.
A música está em Lá menor. O C7M seria o bIII7M do tom deste tom, ou seja, seria um acorde que faz parte da tonalidade.
Contudo, ele coloca o C#m7 que é o IIIm7 do tom de Lá Maior, ou seja, veio do Tom Maior.
Por isso ele é um Acorde de Empréstimo Modal.
A música está em Lá menor e pega emprestado um acorde de Lá Maior.
Como falamos anteriormente, essas situações são mais raras, mas acontecem.
Agora você já possui mais uma poderosa ferramenta para analisar e rearmonizar diversas músicas.
Lembre-se, Empréstimo Modal não caracteriza modulação.
Perguntas frequentes
De onde vêm os acordes emprestados?
Se a música está no tom maior, eles podem vir do tom menor e dos modos gregos. E quando falamos em campo harmônico menor estamos falando de todos os acordes do tom menor, ou seja, eles podem vir da menor natural, da menor harmônica e da menor melódica.
Quais acordes do tom menor não servem como empréstimo?
O IIm7 e o V7, porque eles já existem no tom maior, então não faz sentido analisá-los como empréstimo. E o VIIm7(b5): se ele já não é útil no próprio tom maior, não há motivo para pegá-lo emprestado do tom menor.
Que exemplos o post mostra?
Em Flor de Lis, do Djavan, a introdução traz C7M(9) e Fm6. A música está em dó maior, onde o quarto grau seria IV7M, então esse IVm6 veio emprestado do tom menor. Em Menino do Rio, em fá maior, aparecem o Bbm6, que é o IVm6, e o Db, que é o bVI, presente na menor natural.
Quais acordes vêm dos modos gregos?
O bII7M vem do modo frígio, e é bem comum ser utilizado como preparação para o grau I7M, com uma sonoridade muito interessante. O bVII7M vem do modo mixolídio. E o Vm7 também vem do frígio: ele existe no campo da escala menor natural, mas essa escala é modal, então ao usá-lo estamos pegando emprestado do frígio.
Música em tom menor também pega emprestado do maior?
Pode acontecer, mas é muito mais raro, porque o tom menor é riquíssimo e o campo harmônico menor dá muito mais possibilidades de acordes que o maior. Por já ter toda essa riqueza, dificilmente ele vai pedir emprestado ao tom maior.
Como é o exemplo de empréstimo vindo do tom maior?
Em O Morro Não Tem Vez, que está em lá menor, aparece a sequência Dm7, G7(13) e C#m7. A conclusão mais óbvia seria um C7M, fechando o two five one, e esse C7M seria o bIII7M do tom, ou seja, pertenceria à tonalidade. Mas ele coloca o C#m7, que é o IIIm7 do tom de lá maior.
Escrito por
Gabriel Miguez e Álvaro FuscoProfessores de teoria musical e harmonia, fundadores da Opus 3 Ensino Musical. Gabriel ensina guitarra, Álvaro ensina baixo. Mais de 12 anos de escola física, mais de 16 mil alunos online e autores de Introdução à Harmonia, 1º lugar em Teoria Musical na Amazon.
Leia também
Teoria Musical e Harmonia Inversão de Acordes: o detalhe simples que faz sua banda soar melhor
Teoria Musical e Harmonia Sétima Maior e Sétima Menor: é só pensar ao contrário
Teoria Musical e Harmonia Como Montar Todas as Escalas Maiores Usando a Teoria Musical (Método Fácil e Rápido)
