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Análise Musical: Onde Anda Você

Gabriel Miguez e Álvaro Fusco
Atualizado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

Fazer uma análise musical nada mais é do que compreender os caminhos e o significado de cada acorde dentro de uma harmonia. Cada acorde possui uma sensação e uma função que varia de acordo com o contexto: o tom da música, o acorde que vem antes, o que vem depois, as notas da melodia. Esse é o papel do estudo da harmonia funcional.

Neste post
  1. O que é uma Análise Musical (ou Análise Harmônica)
  2. Análise Musical: Mãos à Obra
  3. Finalizando Sua Análise Musical
  4. Perguntas frequentes

O que é uma Análise Musical (ou Análise Harmônica)

Fazer uma análise musical nada mais é do que compreender os caminhos e o significado de cada acorde dentro de uma harmonia.

Cada acorde possui uma sensação, uma função que irá variar de acordo com o contexto ao qual se insere, por exemplo, o tom da música, o acorde que vem antes, o acorde que vem depois, as notas da melodia, etc.

Esse é o papel do estudo da Harmonia Funcional.

Então vamos trazer pra vocês justamente essa análise musical e iremos destrinchar, acorde por acorde, a música "Onde Anda Você" de Vinícius de Moraes.

Caso você não saiba sobre as funções harmônicas, recomendo que leia nosso post sobre o assunto, ele irá te ajudar a entender melhor nossa análise musical.

Análise Musical: Mãos à Obra

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Nesse vídeo você vai ver o passo a passo para realizar uma análise musical completa.

Vamos destacar os principais pontos falados no vídeo.

Identificar o Tom da Música

Para podermos compreender o papel de cada acorde em uma música, devemos encontrar o tom dela, pois só assim conseguimos entender a função do acorde naquele contexto.

Podemos encontrar o tom de uma música pela armadura de clave e, principalmente, através de uma análise da melodia.

Busque identificar qual a nota que a melodia busca o repouso. Se pergunte: em qual nota a melodia traz essa sensação de repouso, de conclusão. Em suma, qual nota representa a função tônica.

Fazendo essa análise melódica e analisando a armadura de clave você consegue identificar o tom de uma música.

Obs.: É claro que deve observar também os acordes, por exemplo, é bem comum o último acorde da música ser o do tom principal, mas não é uma regra. Assim como muita gente acha que o primeiro acorde da música é o do tom, sendo que isso também não é regra.

Analisar Primeiro os Acordes Diatônicos

Outro ponto muito importante para se atentar é: comece sua análise pelos acordes diatônicos, ou seja, aqueles acordes que fazem parte do Campo Harmônico do Tom Principal.

Então, isso quer dizer que uma música que esteja em Dó maior, por exemplo, você deve, primeiro, analisar os acordes que fazem parte do campo harmônico de dó. Estes serão os acordes diatônicos.

Depois você parte para os acordes que estão fora do Campo Harmônico do tom principal.

Analisar os Acordes Dominantes

Após analisar os acordes diatônicos, é hora de encontrar e analisar os acordes dominantes, ou seja, aqueles que preparam outros acordes.

Eles são a chave da Harmonia funcional! (É sério).

Através deles conseguimos descobrir diversos recursos e ideias que ocorrem em uma determinada música.

Então, ao analisar os dominantes, você irá se deparar com recursos como: Dominantes primários, dominantes secundários, dominantes estendidos, etc.

Analisar os Recursos Restantes

Agora chegamos em um ponto em que não há muito mais uma regra, ou ordem, a ser seguida na análise harmônica. Cada música é única e pode ter diversos recursos. Portanto, o importante é captar todos esses recursos e movimentos harmônicos adicionais que podem ocorrer.

Por exemplo, podemos ter two fives, modulações, acordes diminutos com funções variadas, enfim...as possibilidades são inúmeras.

Para você ter noção, nessa música (Onde Anda Você), são utilizados os seguintes recursos:

Finalizando Sua Análise Musical

Lembre-se de uma coisa muito importante: Estamos falando de música, ou seja, estamos falando de sons, de ouvido!

O que quero dizer com isso?

Toda vez que estiver fazendo uma análise musical você deve tocar e ouvir o que está analisando!

Não adianta "canetar" tudo o que acontece se você não compreende o impacto sonoro que cada recurso traz.

Os músicos utilizam todos esses recursos para enriquecer e criar diferentes sensações sonoras nas músicas, e não para dificultar ou encher a música de recursos apenas para mostra que sabem muito.

Portanto, não se esqueça, ouça e toque tudo o que analisar. Quando você se deparar novamente com os recursos que analisou, será capaz de reconhecê-los pelo ouvido, e é aí que a brincadeira começa a ficar boa :)

Perguntas frequentes

Por onde começar uma análise?

Identificando o tom da música, porque só assim conseguimos entender a função de cada acorde naquele contexto. Dá para encontrá-lo pela armadura de clave e, principalmente, por uma análise da melodia: busque identificar em qual nota a melodia traz a sensação de repouso, de conclusão, ou seja, qual nota representa a função tônica.

O primeiro ou o último acorde indica o tom?

É bem comum o último acorde da música ser o do tom principal, mas não é uma regra. E muita gente acha que o primeiro acorde da música é o do tom, sendo que isso também não é regra.

Qual é a ordem da análise?

Comece pelos acordes diatônicos, aqueles que fazem parte do campo harmônico do tom principal, e só depois parta para os que estão fora dele. Em seguida, encontre e analise os acordes dominantes, ou seja, os que preparam outros acordes: eles são a chave da harmonia funcional, e é por eles que aparecem os dominantes primários, secundários e estendidos.

Que outros recursos podem aparecer?

Nessa etapa não há mais uma regra ou ordem a ser seguida, porque cada música é única e pode ter diversos recursos: two fives, modulações, acordes diminutos com funções variadas. Em Onde Anda Você aparecem campo harmônico maior, dominantes primários, secundários e estendidos, two five e acordes de empréstimo modal.

Basta analisar no papel?

Não. Toda vez que estiver fazendo uma análise musical você deve tocar e ouvir o que está analisando. Não adianta canetar tudo o que acontece se você não compreende o impacto sonoro que cada recurso traz. Os músicos usam esses recursos para enriquecer e criar diferentes sensações sonoras, e não para dificultar a música.

Professores de teoria musical e harmonia, fundadores da Opus 3 Ensino Musical. Gabriel ensina guitarra, Álvaro ensina baixo. Mais de 12 anos de escola física, mais de 16 mil alunos online e autores de Introdução à Harmonia, 1º lugar em Teoria Musical na Amazon.

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