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Inversão de Acordes: Aplicação em Blue Bossa

Gabriel Miguez e Álvaro Fusco
Atualizado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

Este post não ensina o que são inversões, e sim mostra como aplicá-las na prática, usando Blue Bossa como exemplo. A ideia central é manter os baixos o mais próximo um do outro sempre que possível, o que suaviza a mudança de acordes da harmonia e gera uma sonoridade muito interessante.

Neste post
  1. O que é Inversão de Acordes?
  2. Aplicação Prática da Inversão de Acordes
  3. Entendendo a Harmonia da Música
  4. Ideia Principal Para Aplicar a Inversão de Acordes
  5. Perguntas frequentes

O que é Inversão de Acordes?

Quando o assunto é Inversão de Acordes, muita gente fica na dúvida de como aplicar esse conceito e ter um resultado sonoro satisfatório.

Vamos te ajudar a trazer esse conhecimento pra realidade, isto é, sair do papel para a prática.

Aqui em nosso blog já temos um post completíssimo sobre acordes invertidos.

Recapitulando rapidamente:

Quando o acorde possui o seu baixo (nota mais grave) em uma nota que não seja sua fundamental podemos dizer que temos uma inversão de baixo, ou seja, inversão de acorde.

Caso você não saiba muito bem sobre o que é uma inversão de acordes, aconselho a clicar no link acima que vai te levar pra nosso completo post sobre o assunto.

Em resumo, um acorde invertido possui exatamente as mesmas notas que no estado fundamental (sem a inversão), contudo, a nota mais grave dele não é mais a fundamental, e sim uma das outras notas que compõem o acorde (seja ele Tríade ou Tétrade).

Aplicação Prática da Inversão de Acordes

Como dissemos no início, esse post não é sobre ensinar as inversões de acordes, mas sim de mostrar como podemos aplicar esse conceito na prática e, assim, obter sonoridades incríveis em qualquer música.

Portanto, preparamos uma aula especial onde mostramos essa aplicação prática, dá uma olhada:

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Entendendo a Harmonia da Música

Blue Bossa é um dos “chamados” Jazz Standards, ou seja, aqueles temas de jazz super clássicos que qualquer músico reconhece em qualquer jam session.

A harmonia e melodia dela são bem simples, por isso, é uma ótima música para dar seus primeiros passos no universo do jazz e também muito boa para aplicarmos nosso conceito de inversão de acordes.

Parte A

A harmonia dela consiste basicamente em duas partes:

A primeira parte (Parte A) possui os acordes de:

Cm7 – Fm7 – Dm7(b5) – G7(b13) – Cm7

Como falamos no vídeo, tocar essa parte com os formatos “convencionais” que normalmente vemos nesse acordes não é algo ruim, pelo contrário, a harmonia da música foi pensada assim, portanto, tudo certo em tocar assim.

Entretanto, podemos utilizar algumas inversões na guitarra/violão para que esses acordes possam soar mais “próximos” um do outro, criando uma sonoridade muito interessante.

Você vai ver que podemos tocar da seguinte maneira essa Parte A:

Cm7 – Fm7/Ab – Dm7(b5)/Ab – G7(b13) – Cm7

Percebe o que foi feito? Apenas utilizamos as inversões de acordes no Fm7 e no Dm7(b5). No primeiro colocamos o baixo na Terça Menor, já no segundo, colocamos o baixo na Quinta Diminuta. E o resultado ficou bem legal, como pode ser visto no vídeo.

Parte B

Na segunda parte da música (Parte B) ocorre uma modulação, isto é, a música muda de Tom. Ela sai de Cm (Dó Menor) e vai para Db (Ré Bemol Maior).

A Harmonia dessa Parte B é a seguinte:

Ebm7 – Ab7 – Db7M

Utilizando as inversões de acordes, chegamos no seguinte resultado:

Ebm7/Db – Ab7/C – Db7M/C – Db7M

No Ebm7 colocamos o baixo na Sétima Menor. No Ab7 colocamos o Baixo na Terça Maior, enquanto que no Db7M dividimos ele em dois: no primeiro colocamos o baixo na Sétima Maior e no segundo subimos o baixo 1 semitom para termos ele na Fundamental do acorde.

Ideia Principal Para Aplicar a Inversão de Acordes

Não sei se você percebeu, mas em todo o processo que aplicamos as inversões de acordes nessa múisca, tivemos uma ideia central:

Manter os baixos o mais próximo um do outro, sempre que possível.

Essa ideia não é uma obrigação geral, nem uma regra a ser seguida. Mas é uma ideia que ajuda muito a exercitar a mente e as inversões, e costuma ter um resultado sonoro muito legal.

Quando você aproxima as montagens dos acordes entre eles, você cria um efeito muito legal que parte da dualidade de ter uma mudança de acordes na harmonia, ao mesmo tempo que essa mudança fica suavizada com as inversões de acordes.

Você pode aplicar a mesma ideia com as notas de dentro dos acordes (não apenas nos baixos), ou seja, tentar achar formatos entre eles em que as notas dos acordes não se distanciam muito uma das outras.

Mas isso é papo para outro post…

Perguntas frequentes

Por que Blue Bossa?

Porque ela é um dos chamados jazz standards, aqueles temas de jazz super clássicos que qualquer músico reconhece em qualquer jam session. A harmonia e a melodia dela são bem simples, o que a torna ótima para dar os primeiros passos no universo do jazz e também para aplicar o conceito de inversão.

Como fica a parte A com inversões?

A harmonia original é Cm7, Fm7, Dm7(b5), G7(b13) e Cm7. Com as inversões, ela vira Cm7, Fm7/Ab, Dm7(b5)/Ab, G7(b13) e Cm7. No Fm7 o baixo foi para a terça menor, e no Dm7(b5) foi para a quinta diminuta.

E a parte B?

Nela ocorre uma modulação: a música sai de dó menor e vai para ré bemol maior. A harmonia é Ebm7, Ab7 e Db7M, e com inversões fica Ebm7/Db, Ab7/C, Db7M/C e Db7M. No Ebm7 o baixo foi para a sétima menor, no Ab7 para a terça maior, e o Db7M foi dividido em dois, primeiro com o baixo na sétima maior e depois subindo 1 semitom para a fundamental.

Tocar com os formatos convencionais está errado?

Não, pelo contrário: a harmonia da música foi pensada assim, então está tudo certo em tocar desse jeito. As inversões são um recurso a mais, para que os acordes soem mais próximos um do outro.

Essa ideia vale só para os baixos?

Não. Você pode aplicar a mesma ideia com as notas de dentro dos acordes, procurando formatos em que as notas não se distanciem muito umas das outras. E vale lembrar que manter os baixos próximos não é uma obrigação nem uma regra: é uma ideia que ajuda a exercitar a mente e costuma ter um resultado sonoro muito legal.

Gabriel Miguez

Escrito por

Gabriel Miguez

Professor de guitarra, teoria musical e harmonia

Professores de teoria musical e harmonia, fundadores da Opus 3 Ensino Musical. Gabriel ensina guitarra, Álvaro ensina baixo. Mais de 12 anos de escola física, mais de 16 mil alunos online e autores de Introdução à Harmonia, 1º lugar em Teoria Musical na Amazon.

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